Infância

Sinto saudades dos tempos em que brincava com meus amigos e não existiam problemas. Era tudo simples, pegávamos nossos brinquedos e íamos para o parquinho.

Minha comida sempre à mesa e meus pais sempre presentes. Minhas roupas sempre lavadas e cheirosas e meu sorriso sempre estampado no rosto.

A inocência com que enfrentava a vida me permitia sentir um mundo mais bondoso, em que as pessoas não procurassem contar vantagem sobre as demais.

Minhas responsabilidades se resumiam a tirar boas notas e não fazer mal-criação. Era tudo tão fácil que sorrir era quase uma regra. Tudo era mais colorido e menos tenebroso. Não tinha medos e apreensões de algo dar errado, pois não detinha discernimento suficiente para tal. Algo que hoje carrego comigo.

Sei que é normal; não que isso seja suficiente para me confortar.

Mas sempre gosto de lembrar o quão bom foi a minha infância, tempo do qual não retornará jamais.

Poucas tarefas, muita brincadeira, ingenuidade e inocência me fizeram receber o mérito de bom menino, graças a educação que recebi dos meus pais.

Hoje, enquanto adulto sei que tenho minhas aspirações na vida, e sei também o quão árduo será para atingi-las, e talvez isso, me deixe assim, com saudades da minha infância.

Percebi muitas coisas depois que cresci, primeiro que as pessoas são más por natureza, e que mesmo essas crianças que brincam hoje inocentemente, serão um dia pessoas que farão o mau ao próximo. Segundo que, o amor ingênuo e dócil será somente uma recordação, posto que antes tinha a certeza que podia confiar em qualquer um e hoje, essa certeza está para a desconfiança.

Sou esperançoso e sei que existem pessoas boas, mas que muitas das vezes esquecem de exercer sua bondade.

Por isso penso e reflito que um dia poderei voltar a ser criança; e, por enquanto vou ensinando as crianças que conheço a curtirem esse momento que jamais terão de volta.

Dizem que a gente só sente falta quando perde, pois eu tenho que concordar com isso.

Mesmo que fique a saudade desse tempo, ainda carrego comigo a criança que quero ver sempre dentro de mim, que age muitas das vezes com o amor sereno e sincero, que faz carinhos sem cobrar nada em troca, que sorri para fazer o outro sorrir, que larga tudo que está fazendo para estar ao lado de quem precisa, a mesma criança que ama e não tem medo de se ferir.

A criança que espero um dia encontrar dentro de alguém para que possamos brincar juntos como antigamente.

Carlos Imbrosio Filho

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