A última chamada do trem

Era um moço elegante, vestido com seu blazer azul marinho de toque levemente aveludado, sua camisa social com gola de cor branca sobressaltava sua sobriedade de homem correto e honesto. Nada que um ser sem tais adereços também não pudesse ser.

Ele estava numa estação de trem, era um trem que deveria partir as 18 horas. Estava no seu relógio exatas 17 horas e 55 minutos quando sentiu que o trem não iria partir na hora. Se ausentou da estação para comprar um livro numa “bookstore”, pois iria levar pelo menos 5 horas até o destino almejado.

Enquanto sentou-se à mesa da livraria, reparou encostada num balcão uma linda morena que, apesar de não ser a mulher mais linda do mundo, era baixinha mas tinha todo um mistério guardado consigo. Ela estava amparada por alguns rapazes elegantes que mais aparentavam serem seus empresários.

Foi quando decidiu se aproximar para pedir uma informação a mesma que notou que seu trem iria partir e não daria tempo de conversar com a linda e exuberante moça.

Ele decidiu perder aquele trem e a proposta que o aguardava no destino também caíra por terra. Se tratava de uma excelente proposta de emprego, que ninguém jamais pagaria igual.

Ele abriu mão sem titubear e partiu ao encontro da moça. Conversou com ela, descobriu que eram seus primos os rapazes, e que eram executivos renomados. Todos cederam cartões ao rapaz do blazer e este ficou a espera do cartão da moça, que nada lhe entregou.

Ele partiu no trem das 19:30hs e quando chegou ao destino, percebeu que os mesmos executivos que estavam na estação também iriam ao tal encontro da proposta de emprego.

Ao entrar no recinto, foi reconhecido por todos e logo lhe foi deferido um olhar aprovador que o fez ser empregado de pronto.

Precisavam de um cargo de liderança, alguém que possuísse um coração além do interesse nas regalias monetárias do cargo, e como o mais novo empregado estava a perder o trem por um instinto do coração, os fez notar que não bastava chegar na hora e  provar conhecimento técnico sobre a função.

Hoje o rapaz se casou com a moça mencionada, e esta era justamente a filha do executivo que o contratou. Ambos têm quarenta anos e possuem dois filhos.

O mais novo executivo nada seria se tivesse pegado o trem das dezoito horas. Não porque perderia sua proposta, mas por que não seguiu seus instintos e viveria para os próximos anos de sua vida arrependido por algo que deveria mas não o fez.

O sentido de nossas vidas é estar ao lado de quem gostamos, e o nosso sucesso profissional depende da presença das pessoas que irão nos acariciar a cada vitória ou derrota.

Falta fé e força nas atitudes de cada pessoa para que possamos sempre ser felizes, e não tão somente em momentos esparsos.

Falta esperança no coração das pessoas e amor, para que possamos provar a nós mesmos que somos aquilo que fazemos, como agimos e o que falamos.

Quando não mais agirmos mais com o pensamento voltado ao dinheiro, saberemos o sentido de nossas vidas e nesse momento, descobriremos a felicidade plena.

Utopia é não acreditar que fazer a sua parte pode mudar o mundo drasticamente.

O trem pode deixar a estação sem sua presença, mas as oportunidades guardadas para àquele que busca a felicidade estão sempre lá presentes e fortes.

Carlos Imbrosio Filho.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: